Marcão, presidente da ACIMA, fala sobre projetos, crise e relação com a Prefeitura

"Eu não desloco mais um centavo da Associação Comercial pra mexer em uma câmera aqui, e não tiro mais 10 centavos para comprar uma moto, porque sei que não tem resultado", disse.

Publicado em 12 de agosto de 2015 às 11h11

 

Marcos Rogério Martins de Souza, mais conhecido como “Marcão da Hobby Mania”, foi reeleito em janeiro deste ano para presidir a ACIMA – Associação Comercial e Industrial de Monte Alto. Sua gestão vem sendo marcada pelas campanhas, que contam com forte participação dos montealtenses, mesmo em tempos de crise.

Marcão recebeu o Jornal Connect, na tarde de segunda-feira (10), e falou sobre economia, o centro de eventos que é planejado e sobre investimentos em segurança.

Jornal Connect – A Promoção do Dia dos Pais, atingiu o resultado esperado?

Marcão – Sim, ótimos resultados. Achamos que esta campanha seria mais complicada, pela dificuldade em vender, a situação econômica que estamos vivendo hoje… mas o resultado superou a expectativa. Atingimos 15% a mais que a participação do ano passado. Agora começamos a Promoção de Dia das Crianças.

Jornal Connect – O mecanismo criado pela ACIMA, acredita ter conseguido segurar mais o público consumidor em Monte Alto?

Marcão – A campanha que fazemos é bem agressiva. Se notarmos nas cidades em volta, até maiores como Araraquara, Ribeirão Preto, é difícil encontrar uma associação comercial que dá os prêmios que colocamos; 11 motos, mais de R$ 20 mil em vales-compra, tablets, bicicleta… isso traz benefícios e estimula o comércio local.

Neste último sorteio, por exemplo, um morador de Cândido Rodrigues foi sorteado. Ou seja, alguém que veio à Monte Alto e gastou no comércio. Nossa intenção é esta, manter os consumidores locais em Monte Alto, e atrair consumidores da região ao nosso comércio.

Jornal Connect – O Brasil hoje está em crise, a ACIMA tem sentido o impacto aqui na cidade?

Marcão – Hoje, como empresário, administro a Associação com o mesmo cuidado com que administro os meus negócios, e vejo muitas crises. Mas, para mim, trata-se de uma crise mais política do que financeira. As pessoas que tem o dinheiro para gastar, acabam não fazendo com medo do amanhã, e isso brecou muita coisa, como compra de veículos.

O comércio sofre com isso, hoje temos uma inadimplência de mais de 30%. Para que as pessoas se conscientizem, é preciso uma reforma política e tributária, para que consigamos rapidamente chegar na situação em que estávamos, há meses atrás.

Jornal Connect – As instruções para os comerciantes hoje, quais são? Negociar, priorizar as compras à vista onde é possível negociação?

Marcão – O nível de endividamento está alto. Pessoas que ganham R$ 1.000,00, com R$ 800,00 comprometidos para os próximos 7, 8 meses. A pessoa tem que negociar, em uma compra à vista o poder de negociação do cliente é muito maior, seja do consumidor com o lojista, ou o lojista com o fornecedor. Cartão de crédito, atualmente, é um perigo devido aos juros. Mas caso a compra seja parcelada, em um prazo não tão longo, mas com parcelas que se consegue quitar, claro.

Jornal Connect – De tempos em tempo, o comércio cria meios para a quitação de dívidas. Há alguma estimativa, com relação a isso?

Marcão – Sim, estamos com um projeto, talvez para já outubro ou novembro, para pessoas que estejam cadastradas há anos no SPC [Serviço de Proteção ao Crédito].

Em alguns casos, a dívida é tão pequena, que o consumidor não tem conhecimento. Há casos em que por causa de R$ 50 ou R$ 60, a pessoa já está no cadastro de devedores. E para o comerciante, não importa tanto o tempo em que receberá a dívida, se em 2, 3 ou 7 vezes; o mais importante é receber.

Então iremos fazer essa negociação, ver com o comerciante como dá pra parcelar essa dívida, reduzir juros, e criar no devedor o interesse de pagar.

Mas é importante deixar claro que há dois tipos de pessoas: as que querem pagar e as que querem limpar o nome. Tem pessoas que dividem a dívida em 10 vezes, paga a primeira parcela e já contrai uma dívida maior. Mas também há pessoas sérias, que perderam o emprego, sua renda… é preciso cuidado. Estamos buscando uma solução, junto ao Jurídico, para sanar este problema. O CEJUSC [Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania de Monte Alto] é uma grande ajuda ao comerciante, dando apoio.

Jornal Connect – A ACIMA tem feito as campanhas, palestras, mas há um trabalho de preparação do comerciante?

Marcão – O que a associação tem feito são cursos, mas tivemos um problema com o SEBRAE, que foi instalado em um local que não deu certo, e agora estamos nos adequando. Aconteceu esta semana uma seleção de pessoal para trabalhar na entidade, acredito que mais 30 dias já estaremos com o SEBRAE apto para dar mais cursos, como de preparação de vitrines.

O Posto SEBRAE agora atende na Rua Jeremias de Paula Eduardo, nº 1904, ao lado da Homeovida, e está disponível para todos os munícipes.

Jornal Connect – Qual seu desejo agora, em sua segunda gestão?

Marcão – A intenção da diretoria é preparar o espaço social. Estamos economizando onde é possível, nos custos dentro da ACIMA. Não é possível terminar esta obra em um ano, acredito levar 5 anos para deixar como sonhamos, um centro de eventos para 1,5 mil pessoas. Mas o primordial são as campanhas, sem dúvida, pois são o que trazem benefício direto ao comerciante.

Jornal Connect – Tem aumentado o número de furtos e roubos em pontos comerciais de Monte Alto. A ACIMA, que fez investimento em câmeras de segurança e motos, tem algum novo projeto ou parceria junto ao Poder Público?

Marcão – Não, porque a verdade é uma só: tudo que a ACIMA combina, ela cumpre. A outra parte, que é responsabilidade da Prefeitura Municipal, é difícil de se cumprir.

Hoje estamos com duas motos ali, cedidas pela ACIMA a pedido do Paulo Carello, que é uma pessoa muito responsável, séria. A Silvia Meira também, nada contra ela… mas talvez a burocracia que seja a Prefeitura Municipal, para conseguir verbas, deixa a deixa chateado.

Fizemos um investimento de mais de R$ 170 mil, com as câmeras de segurança, e hoje não temos retorno algum. O mínimo que a Prefeitura precisava ter feito era manipular elas, realizar o monitoramento, e isso não acontece.

No meu primeiro mandato, queria dar 6 motos à Guarda Municipal, mas não tivemos condições e precisamos ficar com as 4 motos. Mas não havia elemento para trabalhar com essa motos, tiramos duas… e só não tiramos as outras duas porque foi pedido para aguardarmos, estamos fazendo isso.

Eu não desloco mais um centavo da Associação Comercial pra mexer em uma câmera aqui, e não tiro mais 10 centavos para comprar uma moto, porque sei que não tem resultado. Agora, se é incompetência ou deixa de ser de alguém, é um problema exclusivamente de lá [Prefeitura Municipal]. O que é feito aqui na ACIMA, cumprimos.

Não ajudamos pra levar vantagem em nada, não precisamos disso e fazemos porque há seriedade aqui. Mas a parceria das câmeras e das motos não conseguimos levar pra frente, e não por motivos nossos.

Jornal Connect – Considerações finais?

Marcão – Sobre o Jantar do Comerciante, que será realizado em dia 29 de agosto, este ano não teremos uma atração nacional, mas teremos a apresentação da Banda Mala Direta. Foi um pedido dos próprios associados, para que colocássemos uma banda para dançarem, curtirem mais e, por outro lado, devido às questões financeiras que estamos vivendo hoje e o investimento no centro de eventos.

O jantar dificilmente dá algum lucro, quase sempre dá um pequeno prejuízo, mas essa economia no seu preparo será revertido ao comércio, no final de ano… ações pra tentar aquecer mais o comércio. E contamos com a presença de todos os associados, quase todas as mesas estão vendidas e será uma ótima festa, sem dúvida.

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