Baltazar Garcia conversa sobre as mudanças na Câmara e o seu futuro na política

O vereador-presidente Baltazar Garcia, eleito em 1º de dezembro para comandar os trabalhos da Câmara Municipal, no biênio 2015-2016, recebeu na tarde desta quarta-feira (1º) a equipe do Jornal Connect. Em pauta, as mudanças propostas pelo edil e os planos futuros na política.

Publicado em 3 de abril de 2015 às 22h32

Apesar da boa votação, Baltazar ficou fora da Câmara Municipal devido ao coeficiente eleitoral. Em 2014, o vereador e também professor Thiago Cetroni foi convidado a assumir a secretaria da Educação, dando oportunidade ao suplente de ingressar em seu primeiro mandato.

Baltazar Garcia tem 33 anos, é professor e diretor da rede estadual. Graduado em Filosofia Plena, Pedagogia Plena, pós-graduado em Direito Educacional e em Ensino de Filosofia. Acompanhe a reportagem a seguir.

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Jornal Connect – Como foi seu primeiro ingresso na política?
Baltazar Garcia – Em 2012. Na época, o vereador Marcelo Augusto me convidou para fazer parte do PV, nunca havia sido filiado a qualquer partido e aceitei o convite. Novo na época, não tinha ideia de quantos votos receberia, e pra mim foi uma surpresa a votação que tive. Primeira eleição, gastando quase 3 mil reais, trabalhando mais com quem conhecia, e ter quase 600 votos, foi um resultado muito agradável, mesmo não tendo ingressado.

Connect – Qual a motivação para isso, ingressar na política?
Baltazar – Primeiro, eu vejo que a política é boa, mas quando o político faz uso dela para desenvolver a cidade, valorizar ela e sua indústria, comércio, educação – área que represento, como professor e diretor -, mas não podemos focar apenas em uma área. Pode-se ter o nicho, onde vem mais voto, mas só isso não irá eleger ninguém.
Quando eu me candidatei, tinha minhas propostas prontas, lancei um “santinho” com as ideias que tinha. Quando finalmente entrei na Câmara, no momento em que o vereador Thiago Cetroni afastou, eu comecei a resgatar essas ideias e torná-las indicações, requerimentos e buscar apoio junto ao Executivo.
Oposição ou situação, o trabalho deve ser este. A situação não tem que falar “amém” pra tudo, mas a oposição também não pode falar “não” pra tudo. Há coisas que são boas, que é necessário valorizar, e outras em que a crítica se faz necessária. O foco deve ser o desenvolvimento da cidade, ninguém é vereador para sempre. É uma passagem de quatro anos, quem quer se reeleger precisa mostrar o trabalho que desenvolveu. Amanhã ou depois, cada vereador marca a cidade de acordo com o que fez.

Connect – Surpresa ao ser convidado a assumir o cargo de vereador, após afastamento do Thiago Cetroni?
Baltazar – Sim, nem esperava assumir, na verdade. O Thiago me procurou em uma terça-feira, falando que estava cogitando afastar e eu não sabia a intenção. Foi quando ele me contou do convite para assumir como secretário da Educação, mas pensei que ele estava falando a longo prazo e perguntei quando, se seria após um mês. O vereador me disse que não, seria já para aquela semana. Quando soube disso, de imediato disse que eu precisaria do Regimento Interno da Câmara Municipal, porque não queria entrar lá sem saber nada.
Tenho a consciência que o mandato é dele, mas sei que é algo bom esta mudança, porque o Thiago é jovem, dinâmico, e está levando isso à secretaria da Educação e, ainda por cima, me deu a possibilidade de mostrar o meu trabalho.
Eu sei que se um dia ele decidir voltar, eu tenho que sair, e não quero influenciar nisso. Mas enquanto eu estiver aqui, eu devo fazer a parte que me cabe, fiscalizar, sem fazer politicagem. Sem fazer indicações que você sabe que não vão acontecer, só para falar que fez. A população percebe! Não se deve ter quantidade de indicações, mas qualidade. E acompanhar, cobrar, as que são feitas.

Connect – Neste tema, acompanhamos que o vereador foi autor de 15 indicações. Quantas foram atendidas?
Baltazar – Seis. Destas, tem uma que fiz no ano passado (133/2014) e será atendida semana que vem, que é em relação às faltas. Os professores me procuraram, porque hoje funciona da seguinte maneira: o educador vai até o CAC e agenda, mas se ele falta, o diretor precisa chamar substituto. Se é pra chamar o substituto, é indiferente ele agendar 30 dias antes ou 5 dias antes, pois precisarei chamar de qualquer jeito. É uma indicação que tem cinco meses que foi apresentada, e agora recebi a informação da prefeita Silvia que será possível atender.
Quando acontecer de eu fazer uma indicação e me provarem que não é possível de cumprir, e me convencer do porquê, eu faço outras. O Executivo não é obrigado a atender as indicações, mas quando o vereador faz uma que sabe ser passível de ser cumprida, não há como não fazer, não tem desculpa.

Connect – Prestes a fazer um ano como edil, como tem sido a relação com os companheiros de trabalho?
Baltazar – A relação é boa. O vereador tem a parte teórica (Regimento, Lei Orgânica, Orçamentária), que é obrigatório entender, ou pelo menos estudar pra tentar entender. E tem a parte de conversar com todos, e eu consigo fazer isso, respeitando cada um. Hoje quem é oposição, amanhã pode estar junto, por isso o respeito deve existir.
A política verdadeira é a arte de negociar, e quando se fecha a porta do diálogo, se deixa de fazer política. O bom político faz oposição quando necessário, critica, mas sempre no campo da ideia; amanhã, caso precise apoiar aquele que criticou, vai conseguir porque não foi pessoal.
Como presidente, nas sessões, o tempo é igual pra todo mundo. Se eu deixo um falar dois minutos a mais, outro que pedir também vai poder. A gente sabe que tem vereador que com 5 minutos já arrematou o assunto, outros precisam de um tempo maior.
Na mesa, o Elias Bahdur tem três mandatos como prefeito, eu aprendo muito com a experiência que ele tem. Mas as leis mudaram, então eu preciso usar isso nos dias de hoje, com as leis atuais. O mesmo com outros vereadores, que já tiveram passagem pela Casa, a gente consegue absorver muita coisa. Mas o caminho do vereador, somente ele pode fazer, sozinho.
Já aconteceu, por exemplo, de fazer uma indicação para fazer a Academia do Idoso na praça que inaugurou neste dia 31, e o João Picolo já havia feito esta indicação na época em que eu ainda não era vereador, e me avisou. Imediatamente, eu retirei a indicação, porque a intenção não era aparecer, e sim fazer o projeto acontecer, porque era viável! Ou seja, ele também percebeu que aquilo podia ser feito. É isso que eu falo, todos deveriam ser assim. O ego do vereador está abaixo dos problemas da cidade. Sozinho não se faz nada, o vereador precisa unir forças com outros vereadores, Executivo, Judiciário…
Outro exemplo é a aprovação ontem (dia 31), da Resolução do Conselho Tutelar. Isso foi possível porque fizemos uma reunião com o promotor Dr. Frederico Francis Mellone de Camargo, no Fórum. Foram nove vereadores ali, ele mostrou o que queria e trouxemos para a Câmara. Depois, o promotor disse que foi a primeira vez que os vereadores foram conversar com ele. O Judiciário é independente, como nós também somos, mas fomos de encontro ao promotor pra ouvir o que ele tinha a falar. Essa harmonia precisa ter!

Connect – Ainda trabalho dos vereadores, há os pedidos de verba, articulações políticas. O que o vereador Baltazar tem buscado para Monte Alto?
Baltazar – Está em andamento uma emenda com o deputado federal William Woo (PV), que eu apoiei na última eleição, para que Monte Alto receba uma nova ambulância. Pedi também a ele R$ 150 mil para a Santa Casa, emenda para realizar recape de rua… tem outra que fiz junto ao Marcelo Augusto, no valor de R$ 100 mil para a Santa Casa, pedido feito ao Beto Tricoli. Este tipo de pedido, pode não ser atendido totalmente, mas mesmo parcial ficamos satisfeitos, porque é uma grande conquista à cidade. Assim como indicação, estes pedidos precisam ser feitos mas também acompanhados de perto. Deputados atendem vários políticos de todas as cidades, se o vereador pede e esquece, fica pra segundo plano.
E o trabalho continua, estou agendando visita a deputados. O Bela Vista do Mirante é um bairro que quero, também, contemplar com emenda, com relação às ruas em que vi o problema, entre tantos outros pela cidade.

Connect – Agora presidente, você trouxe várias mudanças à Casa de Leis. Além disso, o que mudou na pessoa de Baltazar?
Baltazar – A visão do que é ser vereador. Como vereador, cuidamos de um público específico. Como presidente, ampliou muito o trabalho. A presidência é isso, nos dá uma visão de tudo, cada setor da cidade. Mesmo pra quem não quer aprender, acaba aprendendo na marra, o problema chega à sua mesa e você precisa resolver.
Quando eu aceitei sair como candidato a presidente, a primeira coisa que falei com o grupo que me apoiaria, é que eu entraria para não roubar, e isso é fato. Segundo, para não deixar roubar. Porque não basta não roubar, se deixar é a mesma coisa que estar roubando.
Em janeiro, fizemos uma economia de R$ 12 mil. Em fevereiro, de R$ 20 mil. Isso se gastando bastante, com reformas no prédio, parte elétrica, telefone… ou seja, economia fazendo investimento, mas de forma correta. Fazendo três orçamentos, sem negócios com base na amizade. Se é mais caro o valor apresentado, ou abaixa ou sai. E isso aconteceu até com amigo meu, o preço apresentado era o segundo mais caro e ficou de fora. O dinheiro público não é meu, é do povo! Minha intenção com essa economia é mostrar pra população que é possível fazer economia, e dinheiro público tem que ser gasto com o povo. Se houver sobra, já temos um compromisso de destinar esta verba à prefeitura, para que ela atenda entidades como a APAE. Nossa intenção era de economizar de R$ 12 a 15 mil por mês, este mês de fevereiro já superamos isso. Em um ano, R$ 140 mil de economia, com todos os serviços andando.
Esta visão, sinceramente, eu não tinha. Nem conhecia a verba que a casa tinha, só por cima. Por isso hoje faço reuniões com a imprensa, entrego os balancetes e abro o espaço para questionamentos, com transparência.

Connect – Este dinheiro poupado, será então destinado às entidades?
Baltazar – Não só para as entidades. A Guarda Municipal, por exemplo, fiz uma emenda pedindo um novo veículo à ela. Se sair por emenda, ótimo. Caso não seja possível, parte deste dinheiro pode também ter este destino. Este é um compromisso meu, junto à Mesa, e espero que futuramente, caso eu saia e um novo presidente assuma, que continue este trabalho.

Connect – Com esta nova forma de presidir a Câmara, sentiu forças contrárias à estas mudanças?
Baltazar – Por parte dos vereadores, não, todos estão apoiando. Por parte dos fornecedores, com certeza, porque quem perde a venda, logicamente, não gosta. Mas se não quer perder o contrato, então que faça mais barato. Exemplo disso foi o café. Era pago um valor de aproximadamente R$ 10, hoje compramos por R$ 5, do mesmo fornecedor. Se ele não tivesse baixado, compraríamos de outro, porque até no mercado o valor é abaixo do que era praticado. Tudo é questão de negociação! O contrato com o CIEE (Centro de Integração Empresa Escola), que será assunto da próxima coletiva, era pago o valor de R$ 9 mil por ano. O contrato venceu em março, pra renovar exigimos 50% de desconto, e foi atendido. Agora será pago somente R$ 4,5 por ano. Economia gerada, com o mesmo serviço sendo feito.
Mas acredito que até quem tenha perdido nesta negociação, acaba entendendo. O país passa por um momento delicado, e essa economia é a nível nacional, estadual… Monte Alto precisa fazer a parte dela, a Câmara também.
O contrato do ponto eletrônico é um dos que mais me orgulha, e o primeiro que cortei. Era inadmissível alugar-se um ponto eletrônico por quase R$ 8 mil por ano, se você pode comprar o mesmo ponto por R$ 2 mil.
O contrato da rádio, há quatro anos atrás, foi feito por R$ 7.200,00. O contrato da gestão anterior teve um pequeno aumento, o atual é R$ 7.900,00. Esse reajuste foi devido à inflação, constava no contrato anterior este reajuste anual. Até tentei diminuir o tempo de utilização de cada vereador, de 30 para 15 minutos, mas não havia interesse da rádio deste tempo.
Mas o presidente precisa ter bom senso. Esta divulgação no rádio é importante, leva ao conhecimento dos moradores os trabalhos de todos os vereadores. O que a população não sabia e ficou sabendo, é que o contrato com a rádio é pago. Pessoal achava que vereador ia à rádio de graça, e nunca foi de graça. Quem me pergunta, falo abertamente. E vereador que é contra este contrato com a rádio, em específico, está indo contra o próprio trabalho. Porque é o espaço que ele tem de mostrar o serviço desempenhado. Lembrando que este contrato novo foi demorado, porque só foi finalizado após o cancelamento da primeira licitação (através de carta-convite), onde os valores apresentados pelas três emissoras concorrentes eram muito altos, mudamos para o sistema de tomada de preço e então chegamos neste contrato atual.

Connect – E quais as perspectivas, projetos futuros do vereador Baltazar Garcia?
Baltazar – Eu penso em sair mais uma eleição como candidato a vereador. Não tenho pretensões a mais que isso, porque sei o quão sério é estar aqui, como vereador, presidente da Câmara, sei a responsabilidade de ser prefeito… então quero entrar como vereador. Tenho 33 anos, estou novo ainda, mas no momento só isso. Depois disso ainda não pensei, quero primeiro sentir se a população aprova ou não o que venho fazendo aqui na Câmara. Se não for a vontade da população, entenderei, outros vereadores virão. Mas deixo o meu trabalho aqui, como o Código de Ética que estamos preparando. É algo que a atual Câmara Municipal está fazendo, inédito em 100 anos de atividade. Este Código de Ética trata a conduta do vereador, dentro e fora da Casa de Leis. Mas isso deve preocupar somente o vereador que não trabalha como deveria; o vereador que trabalha corretamente, não tem o porquê ter medo, não muda nada.
A lei pune o vereador que rouba, que age de má fé. Mas o Código de Ética vai mais fundo, como em uma situação de ofender a mãe de outro vereador, por exemplo. Haverá situações de advertência verbal, por escrito, se for reincidente pode até ser cassado. Foi unânime a aprovação pelos vereadores atuais, e isso mostra o interesse dos políticos de fazer tudo de forma correta.

Connect – Gostaria de acrescentar algo aos nossos leitores?
Baltazar – Agradeço o espaço, a imprensa tem papel fundamental na divulgação dos trabalhos e das falhas. E quando há críticas, o político tem a oportunidade de aprender com isso, buscar melhorias. Espero que os futuros presidentes da Casa mantenham esta relação saudável com a imprensa, de diálogo e transparência.

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