Marcos Cintra | Economista |

Pátria corrompida

Publicado em 12 de dezembro de 2015 às 16h21

Na economia o Brasil anda para trás e no ranking da corrupção continuamos em uma posição humilhante. A entidade Transparência Internacional avalia periodicamente vários países para apurar o grau de picaretagem em cada um. Dos 176 analisados em 2014 o Brasil está na 69ª posição. Os melhores indicadores são os da Dinamarca, Nova Zelândia e Finlândia. Os mais corruptos são Somália, Coréia do Norte e Sudão.

O Brasil dá vexame no ranking.A corrupção é uma endemia nacional. Uma vergonha! Países latino-americanos como o Chile e Uruguai são apontados como menos corruptos que o Brasil. A situação também é melhor em nações como Gana, Botswana e Ruanda, na África.

Conforme sempre aponta a entidade, a corrupção nos grandes projetos públicos é um dos maiores canais de desvio de dinheiro público e representa um enorme entrave para o desenvolvimento de um país. Os recursos roubados dos cofres públicos diminuem os investimentos em áreas vitais como saúde e educação e nas ações de combate à pobreza.

É revoltante o que acontece com o suado dinheiro do contribuinte brasileiro entregue ao poder público. A classe média não aguenta mais pagar tanto imposto e ver que boa parte vai pelo enorme ralo da corrupção. Para piorar, sofre os terríveis efeitos do aumento da miséria causada pela carência de investimentos sociais.

Em anos recentes, ações empreendidas pela Polícia Federal desbarataram quadrilhas que atuavam em diferentes segmentos da vida pública. A operação Lava Jato, por exemplo, vai entrar para a história como o maior roubo da história brasileira. Bilhões foram desviados de um dos maiores ícones do país que é a Petrobrás. Suspeita-se que os esquemas no BNDES e na Eletrobrás não são diferentes do que se vê no petrolão.

O Brasil precisa empreender uma faxina gigantesca em suas instituições. É necessário combater esse tumor maligno impregnado na vida pública que é a corrupção. É inadmissível que o brasileiro tenha que trabalhar mais de quatro meses no ano para abastecer os cofres públicos e uma minoria se aproprie de parte desses recursos de maneira inescrupulosa e sorrateira.

O princípio da restrição orçamentária vale para qualquer agente econômico. Mais do que crescer, o país precisa resgatar uma enorme parcela marginalizada da população. Tudo isso demanda recursos que precisam ser aplicados de modo eficaz e eficiente. Com orçamentos públicos já insuficientes frente à grande demanda social, torna-se dramático investir com a corrupção comendo parte do dinheiro.

Tanto a grande corrupção, que envolve somas vultosas como o superfaturamento de obras e as fraudes em licitações e concorrências, assim como a pequena corrupção, traduzidas em valores relativamente baixos de subornos e propinas, condenam cada vez mais pessoas à miséria material, moral e intelectual.

A degradação moral dos que deveriam zelar pela eficiência na gestão públicacontribui para a proliferação da violência e da ignorância. O slogan “Brasil: pátria educadora” do governo federal está mais para “Brasil: pátria corrompida”.

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