José Renato Nalini | Desembargador aposentado | documento

Assim é que se faz

Publicado em 8 de janeiro de 2016 às 13h50

Leio com satisfação que o Projeto “Parceiros da USP” tenta estimular ex-alunos e aqueles que não tiveram o privilégio de estudar nesse nicho de excelência, para contribuir com a subsistência da Universidade. Tudo é aceitável: dinheiro, equipamentos, imóveis e reformas na infraestrutura dos prédios. Em troca, a USP poderá fixar placa de agradecimento, com nome ou logotipo do doador.

Isso é normal nos Estados Unidos, país reconhecidamente pobre, mas que não hesita em pedir auxílio àqueles que foram bem sucedidos na vida, mercê da boa educação. Harvard, por exemplo, tem um fundo que acumulou US$ 37,6 bilhões, ou seja, cerca de R$ 150 bilhões!
Aqui, a PUCSP há alguns anos tentou algo parecido. O retorno foi insuficiente até para cobrir a despesa com a postagem dos pedidos. Tempos atrás, o então diretor da Faculdade de Direito aceitou a adequação de duas salas antigas e a revolta do alunado fez com que fosse retirada a denominação dos espaços, a agradecer quem arcou com as reformas.
Esse exemplo deve ser disseminado para todas as demais escolas públicas, de todos os níveis. Há uma simbologia importante e um recado de que o Brasil está a necessitar. O governo onipotente e onisciente, todo poderoso para atender a todas as reivindicações, não tem dinheiro para satisfazer à demanda. Assumiu a condição de Estado provedor e agora não dá conta de responder pelas crescentes exigências, que se sofisticam e se tornam intensas e evidenciam uma impressionante insaciabilidade. Qual o limite para atender a tais necessidades? Até onde vai a responsabilidade do governo e a responsabilidade pessoal por suprir desejos, aspirações, vontades e até abusos, consubstanciados na exigência de grifes, marcas, modelos e cores, como se vê nas postulações recorrentes?
Uma escola pública será efetivamente pública se os pais de alunos se interessarem por ela, cuidarem de sua manutenção, as mães se encarregarem da merenda, os alunos da sua conservação e higiene. Sem o pertencimento, o vandalismo predominará. Já aquilo que é patrimônio de todos merecerá cuidado especial, porque é, realmente, de todos.
O mais importante é mostrar à sociedade que Estado é instrumento, é ferramenta, não é finalidade. O povo é que é titular da soberania. E se ele se mover em momentos de crise, toda a Nação terá a ganhar. Em boa hora, a USP dá o exemplo. Que outros a acompanhem.

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